Estou aqui há algumas horas pensando incansavelmente sobre o que escrever e, principalmente, escrever para pessoas que nunca irão ler. Pensei nas conveniências da "exclusão". E de primeira imaginei excluir os sentimentos. Não por serem menos dignos, mas eu os deixei tão bem guardados e escondidos dentro de mim por longos e intermináveis meses (se não, anos) que já não sei bem se sou capaz de encontrá-los, reciclá-los e melhorá-los de tal forma que pareçam nunca esquecidos.
No entanto, hoje eu entendi a beleza e grandeza de expressar tudo aquilo que é importante pra mim. Foi sentada ao lado de alguém que esteve comigo por tantos e tantos anos que eu me lembrei de tudo o que me fazia e ainda faz feliz. Essa pessoa talvez não esteja mais em sua melhor forma e talvez não tenha de vida tanto tempo quanto o já vivido, mas foi com a simplicidade de um sorriso que eu pude me encontrar novamente.
Pode ser que um dia eu entre por aquela porta, que em partes já carrega tantas lembranças e saudades, e a minha voz já não seja reconhecida, ou nem ao menos eu esteja guardada em suas lembranças mais antigas e nem o que represento. Um dia pode ser que nossa conversa seja mais uma despedida e talvez eu nunca mais terei a oportunidade de abraçá-la uma vez mais. Mas eu me lembrarei bem quem ela é e tudo o que representa em minha vida e no que me tornei.
Contudo, foi com essa pessoa que cheguei à conclusão de que nada sei sobre sentimentos, mas sei apreciar quem me faz sentir realmente bem e mais do que isso, se apreciar quem realmente me fará falta quando não os tiver por perto. Seja um amigo, um familiar ou aquela pessoa especial. Obrigado vó, por me ensinar que o essencial é valorizar o que temos e não o que perdemos, sem se esquecer ainda daqueles que se foram por motivos maiores.